Aqui você pode acessar meu Currículo Lattes e conhecer melhor meu perfil e minha atuação profissional.
Há também um trecho da minha Dissertação de Mestrado em Filosofia da Biologia e Teoria Evolutiva.
Grato pela visita!



"Filosofar é reaprender a ver o mundo." - Merleau Ponty

MULTIPLURINTERTRANSDISCIPLINARIDADE

O texto abaixo sintetiza uma importante perspectiva sobre o conhecimento contemporâneo: o 'pensamento sistêmico'.
Leia e reflita.

O pensamento clássico e a ciência moderna marcaram o século XX com dogmas e ideologias que devastaram, com suas certezas, a consideração do homem como parte do universo e como ser solidário com seus semelhantes, implantando no mundo a busca da eficácia pela eficácia. A linguagem disciplinar, decorrente desse pensamento, não deu conta de provocar a interação entre os conhecimentos das várias disciplinas criadas pela ciência moderna. A pluridisciplinaridade foi uma forma de buscar essa interação; porém, propôs-se a estudar um objeto, de uma única disciplina, através de outras disciplinas, o que enriquecia o objeto estudado, mas não resultava na referida interação. A interdisciplinaridade, outra forma de linguagem encontrada para buscar a relação entre os conhecimentos disciplinares, propôs-se a transferir métodos de uma disciplina para outra, em três graus distintos: de aplicação, epistemológico e de geração de novas disciplinas. Tanto a pluridisciplinaridade quanto a interdisciplinaridade superaram a visão disciplinar; porém, permanecem inscritas, segundo o autor, na pesquisa disciplinar. A interdisciplinaridade, quando gera novas disciplinas, contribui para o big bang disciplinar, dificultando a integração do conhecimento. A transdisciplinaridade diz respeito àquilo que está, ao mesmo tempo, “entre” as disciplinas, “através” das diferentes disciplinas e “além” de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, mediante a unidade do conhecimento. Ela não é uma ciência, nem propriedade de uma determinada disciplina. Diferencia-se da pesquisa disciplinar, pluridisciplinar e interdisciplinar, mas é considerada, juntamente com elas, uma das quatro setas do arco do conhecimento. O modelo transdisciplinar muda a noção das “leis da natureza” e fala de uma natureza objetiva que está ligada ao objeto, cuja metodologia é a ciência; de uma natureza subjetiva que está atrelada ao sujeito, cuja metodologia é a ciência antiga do ser; e da trans-natureza que fala da comunidade de natureza entre o objeto e o sujeito, que se refere ao campo do sagrado, visto como o sentimento que nos liga aos objetos e pessoas, como sentimento religioso. Esta estrutura ternária da trans-natureza permite defini-la como natureza viva e pede uma nova metodologia que não é nem a metodologia da ciência moderna, nem a metodologia da ciência antiga do ser, e sim a metodologia transdisciplinar que transgride e abre espaço ilimitado de liberdade, de conhecimento, de tolerância e de amor. A transdisciplinaridade pressupõe o pensamento e a experiência; a ciência e a consciência; a efetividade e a afetividade. Neste sentido, a transformação de visão e de ação no mundo passa por um diálogo transdisciplinar, baseado em pontes que ligam os seres e as coisas, acompanhado por uma revolução da inteligência que transforma nossa vida individual em social, através de um ato estético e ético, desvelando a dimensão poética, superando o interesse da eficácia pela eficácia e resgatando o humano.

NICOLESCU, Basarab. O Manifesto da Transdisciplinaridade. Tradução: Lúcia Pereira de Souza. São Paulo: Triom, 1999.

Filosofia da Biologia e Teoria Evolutiva

Filosofia da Biologia e Teoria Evolutiva

Resumo da minha dissertação de Mestrado:

O principal desenvolvimento da teoria da evolução por seleção natural ao longo do século XX é chamado de teoria sintética da evolução. Ela é a interpretação da teoria darwiniana à luz de novos campos da pesquisa científica, em especial da genética, afirmando a transformação lenta e gradual das espécies, através do mecanismo de seleção natural atuando sobre os genes. A teoria sintética é adotada atualmente como a extensão mais elaborada da teoria de Darwin e a explicação final para os processos evolutivos observados no mundo vivo. As contribuições dos diferentes campos de pesquisa para essa nova síntese que também é chamada neodarwinismo, possibilitaram grandes avanços na pesquisa evolutiva durante o século XX. Apesar disso, a partir da década de 70 começaram a surgir às primeiras críticas ao neodarwinismo, críticas calcadas em dados científicos que se mostram em flagrante desacordo com a teoria sintética. O principal autor dessas críticas foi o paleontólogo americano Stephen Jay Gould, que contestou a teoria sintética em vários aspectos, contribuindo de forma ímpar para o debate teórico e o aprimoramento da pesquisa evolutiva e de toda a biologia. O foco principal dos debates contemporâneos são os mecanismos da evolução. Ao contrário do que defende o neodarwinismo, o que Gould propõe é que a seleção natural pode não ser o único mecanismo através do qual a evolução ocorre, e que a teoria sintética é apenas um dos direcionamentos, entre outros possíveis, tomados pela pesquisa evolucionista posterior a Darwin. Veremos que Gould volta sua atenção para aspectos que influem decisivamente no processo evolutivo e que até suas críticas eram praticamente desconsiderados por qualquer análise explicativa neodarwinista. A justificativa para a presente pesquisa surge do interesse em abordar uma parte específica da filosofia da ciência ainda pouco trabalhada nos departamentos de filosofia do Brasil: a filosofia da biologia. A idéia inicial, então, foi investigar os aspectos epistemológicos da grande teoria unificadora de todo o campo das ciências biológicas, ou seja, a teoria da evolução. A proposta não é fazer uma análise da obra darwiniana, mas investigar seu mais famoso desenvolvimento atual - a moderna teoria sintética da evolução - a partir das críticas e ataques que vem sofrendo de vários flancos. Todas as críticas aqui expostas têm como pivô central Stephen Gould que, com a colaboração de outros grandes evolucionistas, propõe possibilidades explicativas alternativas aos dogmas da teoria sintética, sugerindo mudanças na teoria evolutiva e até talvez um novo modelo explicativo capaz de cobrir problemas fora do escopo da teoria sintética. Um olhar mais atento para as novas indicações que surgem na pesquisa evolutiva revela que os principais fundamentos da teoria sintética são lacunares e algumas vezes adotados ad hoc, independentemente das críticas e dos dados científicos contraditórios observados. A teoria sintética acredita ser uma teoria completa e inquestionável sobre evolução, não admitindo hipóteses explicativas complementares para os mecanismos evolutivos, o que restringe seu poder de análise e conseqüentemente estreita seu horizonte explicativo. Gould aponta para a necessidade da ampliação da janela explicativa da teoria sintética, ou seja, uma ampliação naquilo que a teoria deveria explicar levando em conta aspectos importantes e decisivos na evolução do mundo vivo que, até então, foram negligenciados pelos neodarwinistas. O percurso teórico de Gould busca evidenciar um certo reducionismo negativo adotado pela teoria sintética, bem como a necessidade de aprimoramento da pesquisa evolutiva contemporânea. A conseqüência epistemológica resultante deste debate teórico – a saber, o alargamento da janela explicativa da teoria evolutiva - é muito positiva, pois vêm engrandecer nosso saber sobre o surgimento, a transformação e a evolução da vida na Terra. Uma vez que a teoria evolutiva é considerada a teoria biológica por excelência, unificadora de todo o campo das ciências biológicas, certamente seu refinamento explicativo trará grandes novidades para a biologia e toda a ciência. Cabe avaliar se as críticas à teoria sintética são suficientes para reorientar o curso da pesquisa evolutiva contemporânea e em que medida a abordagem pluralista realizada por Gould (não centrada na seleção natural), é uma ruptura com os limites explicativos neodarwinistas. Vamos também tentar responder se sua perspectiva contingencial representa ou não o início de um novo paradigma para a biologia evolutiva e, conseqüentemente, para todo o campo das ciências biológicas.
Este trabalho buscará explicitar os seguintes elementos:
I – Princípios fundamentais da teoria sintética: gradualismo e adaptacionismo;
II - As principais críticas dirigidas à teoria sintética por Stephen Jay Gould, e sua polêmica defesa do tema da contingência evolutiva;
III - O debate (sempre pautado, porém, pela argumentação gouldiana) entre estas duas posições teóricas – neodarwinistas x Gould - na tentativa de identificar a necessidade ou não da ampliação daquilo que uma teoria da evolução deva considerar em suas explicações, e se essa abertura da teoria indica um novo paradigma para a biologia evolutiva.
Este é o foco epistemológico da dissertação.

Anderson Barbosa Felizardo
Mestre em Filosofia da Ciência - UFMG/2005.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Filosofia da Biologia e Teoria Evolutiva

Acredito ser a evolução mais que uma hipótese: ela é um fato!
A evolução é uma lei da natureza que pode ser nitidamente observada em qualquer passeio pelo campo. Mas é difícil explicar como a evolução, em suas múltiplas e misteriosas formas, ocorre. Porém não é impossível. É certo que tudo que evolui, pode também estagnar, regredir e 'involuir'. Mas, no geral, as coisas evoluem!

O estudo do surgimento e da evolução da vida, objetos da Biologia geral, merece especial atenção por parte de filósofos e pensadores de vanguarda de todas as áreas. Não há como escapar da perspectiva sistêmica a qual esse debate remete, nem da necessidade de uma leitura filosófica das constantes descobertas e avanços da Biologia contemporânea.
Essa é a função da Filosofia da Biologia e da Filosofia da Evolução.